sexta-feira, 18 de junho de 2010


Acordar era sempre muito difícil, mas o fazia.
A ausência da rotina a incomoda, ainda assim sorri fazendo careta pro espelho do banheiro e começa seu dia.
Monótono dia.

Canta baixinho no chuveiro. Ela tenta planejar seu futuro.
Seu dia passa dentro dela mesma. Como todos os outros.
E sempre o futuro é quem toma conta.

Às vezes ela tem medo de enlouquecer.

Vazio. Grande vazio. Planos. Muitos planos.
Ações. Para o futuro incerto.

A vida passa. Ela está só

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Medo

Medo de relâmpagos e trovões.. de morrer sozinha, de ficar burra. e de ninguém me desejar.
Medo de ser pouco, insuficiente, fraca, obsoleta. tenho medo, mas muito medo, de não construir nada. de ter me enganado no que eu achava que era certeza... Medo de me deparar com a obrigação de ter que soltar o que eu queria ter perto. medo de renunciar e não aguentar. medo de falar demais, de não falar nada. até onde o silêncio é válido?
Medo de deixar meus sonhos irem; e eu nem tinha sonhos, peguei emprestado de alguém valioso pra mim.
Medo de nunca saber se é mesmo o amor tudo isso que me acontece.
Medo de... de me perder e nunca me achar. de perdê-lo num piscar de olhos. e se ele for embora, meu Deus? e se eu for embora de mim?
Medo do vazio que vai ficar, porque sem ele eu vou ficar vazia. completamente vazia. e vou me perder de mim...

Vivendo um dia de cada vez...

Quantas vezes fiquei louca pela casa procurando a chave e ela estava na porta...
Quantas vezes revirei a bolsa procurando o celular, e ele estava no bolso, justamente para não ser esquecido...
Quantas vezes o vozinho procura os óculos e eles estão na ponta de seu nariz...

Então, utilizando a sabedoria da chave, do celular...e de tantas outras coisas percebi que não adianta eu procurar... as coisas estão sempre onde devem estar, onde você permitiu que elas estivessem.

Enquanto eu era platéia e vivia me protegendo da vida, eu era ‘sem sentido’.
Quando percebi que colocando aquela roupa que me deixa de alto astral, com a maquiagem que destaca meus melhores detalhes, e saindo... de peito e coração abertos, eu correria muitos riscos de sofrer, mas também correria infindáveis chances de ser feliz... decidi ser atuante! Decidi participar desse show que é a vida, e a minha, só eu posso fazer!

Notei que enquanto eu queria ser ‘feliz para sempre’ nada acontecia!
A partir do momento que resolvi ser ‘feliz aqui e agora’, coisas passaram a acontecer!

Procurar a felicidade longe não é a melhor escolha... melhor é viver cada dia, sendo feliz dia a dia... sem a preocupação de ser feliz amanhã.
Porque se a cada manhã você acordar e dizer: Hoje vou ser uma pessoa feliz... você será feliz todos os dias...

Não vale a pena... o que te faz sofrer e chorar... não vale mesmo a pena...

E como diria Mário Quintana:

“Tão bom viver dia a dia... a vida assim, jamais cansa.
Viver tão só de momentos como estas nuvens no céu!!”
Bonito isso...

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

METADE



Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio.
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.

Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza
Que o homem que eu amo seja pra sempre amado
Mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade.

Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a uma mulher inundada de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo.

Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
Que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que eu penso
e a outra metade é um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste,
que o convívio comigo mesma se torne ao menos suportável.
Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
Que eu me lembro ter dado na infância
Por que metade de mim é a lembrança do que fui
Mas a outra metade eu não sei.

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço.

Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é a platéia
A outra metade é a canção.

E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também


Oswaldo Montenegro

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010



Gosto do que me tira o fôlego. Venero o improvável. Almejo o quase impossível. Meu coração é livre, mesmo amando tanto. Tenho um ritmo que me complica. Uma vontade que não passa. Uma palavra que nunca dorme. Quer um bom desafio? Experimente gostar de mim. Não sou fácil. Não coleciono inimigos. Quase nunca estou pra ninguém. Mudo de humor conforme a lua. Me irrito fácil. Me desinteresso à toa. Tenho o desassossego dentro da bolsa. E um par de asas que nunca deixo. Às vezes, quando é tarde da noite, eu viajo. E - sem saber - busco respostas que não encontro aqui. Ontem, eu perdi um sonho. E acordei chorando, logo eu que adoro sorrir... Mas não tem nada, não. Bonito mesmo é essa coisa da vida: um dia, quando menos se espera, a gente se supera. E chega mais perto de ser quem - na verdade - a gente é.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010


Não quero perfeição...isso me cansa!!


Não quero essa coisa falsa...diplomacia,

acordo de cavalheiros...

Meus lindos canteiros...algo inteiro...

Minhas orquídeas...margaridas...

Minha vida...tão importante vida...

Não quero exatidão...papo corretamente político...

Sou um ser atípico...sou um prato típico...

Sou um abalo císmico...Tanta delicadeza...

Surpresa nenhuma...alguma coisa que eu já não sabia?

Lindo dia...

Não quero nada que me contém...

Não convém poesia certa...

Versos são para ser livres...

Palavras são para ser ditas...

Não sou o que vês...sou o que sinto...

Sinto tanto, sinto muito...

Determinadas coisas me violentam...

Meus horizontes não cabem nessa verdade...

Sou inteira em minha divisão...

E o que me satisfaz está além

de sua vã filosofia...

Meu dia ... enfeito como posso...

Melodia ao longe...sou eu...

Saindo...caminhando...voando...

Adoro descobrir meu próprio jardim...

Sou uma borboleta enfim...
 

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Sobra tanta Falta

Falta tanta coisa na minha janela como uma praia




Falta tanta coisa na memória como o rosto dela



Falta tanto tempo no relógio quanto uma semana



Sobra tanta falta de paciência que me desespero



Sobram tantas meias verdades que guardo pra mim mesmo



Sobram tantos medos que nem me protejo mais



Sobra tanto espaço dentro do abraço



Falta tanta coisa pra dizer que nunca consigo





Sei lá se o que me deu foi dado



Sei lá se o que me deu já é meu



Sei lá se o que me deu foi dado ou se é seu





Vai saber se o que me deu quem sabe



Vai saber quem souber me salve



Vai saber o que me deu quem sabe



Vai saber quem souber me salve